domingo, 14 de março de 2010

Definição de um diagnóstico

A definição de mim mesma sempre esbarrou na definição da doença. A eterna luta para identificar e diferenciar o que sou eu, e o que a doença provoca. Entrando agora na casa dos 30 anos, ainda tenho meus momentos de dúvidas.

Mais de 15 anos de terapia, de idas e vindas de trocas de remédios, crises, montanha-russa de emoções. Fui diagnosticada com depressão, fui chamada de filhinha-de-papai, já me olharam como preguiçosa. Pessoas próximas já choraram por acharem que eu estava enlouquecendo, já se sentiram completamente impotentes por não conseguirem ajudar, já me sacudiram violentamente durante minha piores crises de desligamento.

O diagnóstico agora é Transtorno Bipolar – ou sei lá como chamam ultimamente. Não foi completamente confirmado, já que não me viram em crise eufórica, mas a medicação está surtindo efeito. E esse é um sinal forte de estar certo.

Outro sinal é que estou bem. Tenho momentos tristes como todo mundo, mas não mais depressivos. Se algo um pouco mais sério me abala, logo consigo ficar novamente de pé.

Claro, nem tudo é um mar de rosas.

Ainda tenho problemas em continuar coisas que começo. Então já penso que é uma característica minha, e não da doença, e que tem que ser resolvida, claro.

Nunca tive muitas crises reais de euforia. Não a euforia saltitante e falante, mas sim uma mania de compras. Compra de roupas, sapatos, bolsas. Consegui parar, mas apenas não entrando mais nas lojas. É um começo, acredito. Porém, converti toda a mania para uma necessidade incontrolável por livros. Se os leio? Bem, alguns. Mas não na velocidade e quantidade que compro.

……

Um dia desses, por desventuras da vida, passei 4 dias sem tomar um dos remédios. Logo na noite do primeiro dia o corpo já começou a perceber a falta química e senti alguma tonteira. Assim progrediu pelos 3º dias. Eu quase já não consegui andar e precisei de ajuda para descer escadas.

Na noite do 3º dia que percebi a mudança no pensamento. As idéias emboladas, lentidão para responder as perguntas mais fáceis. É estranho que agora eu tenha essa percepção, depois de tudo que passei. Agora, eu digo, depois de anos de análise e os recentes meses de terapia cognitiva. Não consigo explicar a mudança do pensamento, mas é tão clara, e tão bruta… Que a única conclusão é que, sim, muitas e muitas vezes a doença já me definiu. E o máximo que posso fazer é controlá-la.

terça-feira, 9 de março de 2010

Havaianas

Havaianas lança sua linha de tênis | Soul Collection

Posso querer 3 cores de cada modelo?

Via Comunicadores