quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Noite de sono

Cansada, resolvo dormir tão logo que possível. Estranho como desacostumamos a pensar. Três dias de aula, e já sinto fadiga mental. É bom, não reclamo. Por mais intrincado que minha vida acadêmica tenha sido, toda essa nuvem de conhecimento é extremamente prazerosa.

Amanhã será um longo dia, aulas matinais e noturnas. Preciso dormir bem. E, apesar de uma certa relutância, antes de meia-noite estou em um sono pesado e sem sonhos.

Às 5h32 da manhã já estou com olhos estatelados. Pronta para os acontecimentos. Tenho que tentar dormir um pouco mais.

Meus sentidos se aguçam. Um dobra do lençol magoa um lado do meu corpo. Escuto em meio ao silêncio uma pequenina respiração e um peso que compartilha meu travesseiro. Um corpo quente me prende os movimentos de uma das pernas.

Tic-tic-tic. Alguém já notou que estou acordada. Tic-tic-tic. Patinhas cuidadosas alcançam meus pés e em segundos sinto bigodes a cocegar minhas bochechas. O quarto é tomado por um alto e satisfeito ronronar.

Depois de alguns minutos de carinhos, resolvo pegar o celular, para a insatisfação do pequeno carente que desce pisando duro. Olho despretensiosamente para outro lado da cama e perco a respiração. Duas enormes bolas de gude iluminadas me olham atentamente. Acordei mais um.

Alguns alegres passarinhos começam a dar vida ao clarear do dia. miauunnn. E sou surpreendida por quatro patas diretamente no peito, sem cerimônias. Agora mais uma sessão de carinhos e resmungos.

Quatro ocupantes da aconchegada cama dão um enorme pulo com o despertador na cabeceira. Levanto e todas de repente, todas as cabeças me acompanham. miaunn. Em direção à porta observo cada um já se ajeitando entre cobertas e travesseiros novamente. 

Felizes são eles, que conseguiram dormir à noite e podem continuar seus sonos manhã afora.

domingo, 16 de maio de 2010

Tufão

É estranho a força que as coisas tem quando precisam acontecer.

Uma noite estou deitada aos braços dele, apaixonada. Conversas ao pé do ouvido, e uma decisão. Um plano para mudar meus já traçados planos.
Na manhã seguinte, vou almoçar com minha avó. Perguntas, e nada falo. Mas ela também já tomou sua decisão: tudo que eu tenho feito não está no caminho certo e devo procurar algo na cidade e morar com ela.
No mesmo dia, à noite, chego com casa, ainda com malas em uma mão e os classificados de minha avó em outra, minha mãe propõe o que já vinha rondando em sua cabeça.
Um tufão me pega pelo pé me lançando para cima junto com tudo que eu chamava de... casa.

É incrivel a força que as coisas tem quando precisam acontecer.


Uma semana depois, estou novamente no apartamento dele. Digo que estou bem. Aguentando bem o rojão da vida. E sim, estou bem. Estou bem e equilibrada. Como há muito ou nunca estive.
Nas próximas duas noites choro copiosamente em seu colo.
Penso em como não vou mais poder escrever meu nome debaixo da pia da banheiro. Como não teremos mais viagens só nós três. E nem iremos a Disney como planejamos.
Penso que agora as lembranças de um passado terão que vir comigo, e só comigo. E que a falta do meu pai vai doer bem mais que qualquer um possa imaginar.

É impressionante a força que as coisas tem quando precisam acontecer.

Apesar de todo peso que é para um filho único lidar com a separação dos pais, a minha idade e meu tempo de terapia (haha) com certeza são fatores que suavisaram. Posso dizer, quer se realmente era para acontecer, não teria uma época melhor para mim. Posso pensar claramante, posso apoiar quem precisa de apoio, posso sofrer sem cair em depressão.
Tenho amigos e família prontos para me acudir, ajudar ou apenas tomar um chopp se eu quiser. Tenho quem me escute, me afague, me abrace nos momentos mais duros; e que me faz rir e me faz esquecer de tudo mais.
Sim, eu estou bem. Tão bem quanto poderia estar. Obrigada.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Conto de 1º de Abril

É quinta-feira e arma uma chuva escabrosa. Penso se realmente vai dar certo a programação.

Tenho pouco tempo para correr pela vizinhança e arrumar um vestiário de acordo. Numa loja na rua detrás, uma blusa básica, branca. Já, uns 5 quarteirões para baixo, e para meu desespero, acho um tênizinho parecido com chuteira, mas delicado. É o que temos. Um problema a menos.

O roteiro já está traçado. Amigos passarão aqui para nos pegar às 19hs. Lá começa às 21h30, e devo chegar em casa só depois de meia-noite. Espero que o novo tênis não mate meus pés…

Ele chega do trabalho e me olha meio atravessado. ‘– Quem é você? O que fez com minha namorada?’, ainda achando a troca da programação da noite além da minha capacidade. Sim, íamos a um concerto. Mas ele não conseguiu vender o ingresso já a muito comprado, e acabei decidindo ir, pela folia. Pela folia, pela felicidade proporcionada.

Quando ele coloca a camisa vem num abraço feliz. Mal sabia eu que teria mesmo que me acostumar. Nas próximas horas, sinto todo o tempo que caí no lugar errado.

A festa é linda, realmente não posso negar. Até bato palmas, para alegria entusiasmada dos que estão a minha volta. E torço. Oh!…

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Poderia ser apenas mais um conto, num qualquer outro 1º de abril… Se não fosse uma prova.

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