Conta-gotas de Lulu Bolota
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Noite de sono
domingo, 16 de maio de 2010
Tufão
Uma noite estou deitada aos braços dele, apaixonada. Conversas ao pé do ouvido, e uma decisão. Um plano para mudar meus já traçados planos.
Na manhã seguinte, vou almoçar com minha avó. Perguntas, e nada falo. Mas ela também já tomou sua decisão: tudo que eu tenho feito não está no caminho certo e devo procurar algo na cidade e morar com ela.
No mesmo dia, à noite, chego com casa, ainda com malas em uma mão e os classificados de minha avó em outra, minha mãe propõe o que já vinha rondando em sua cabeça.
Um tufão me pega pelo pé me lançando para cima junto com tudo que eu chamava de... casa.
É incrivel a força que as coisas tem quando precisam acontecer.
Uma semana depois, estou novamente no apartamento dele. Digo que estou bem. Aguentando bem o rojão da vida. E sim, estou bem. Estou bem e equilibrada. Como há muito ou nunca estive. Nas próximas duas noites choro copiosamente em seu colo.
Penso em como não vou mais poder escrever meu nome debaixo da pia da banheiro. Como não teremos mais viagens só nós três. E nem iremos a Disney como planejamos.
Penso que agora as lembranças de um passado terão que vir comigo, e só comigo. E que a falta do meu pai vai doer bem mais que qualquer um possa imaginar.
É impressionante a força que as coisas tem quando precisam acontecer.
Apesar de todo peso que é para um filho único lidar com a separação dos pais, a minha idade e meu tempo de terapia (haha) com certeza são fatores que suavisaram. Posso dizer, quer se realmente era para acontecer, não teria uma época melhor para mim. Posso pensar claramante, posso apoiar quem precisa de apoio, posso sofrer sem cair em depressão.
Tenho amigos e família prontos para me acudir, ajudar ou apenas tomar um chopp se eu quiser. Tenho quem me escute, me afague, me abrace nos momentos mais duros; e que me faz rir e me faz esquecer de tudo mais.
Sim, eu estou bem. Tão bem quanto poderia estar. Obrigada.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Conto de 1º de Abril
É quinta-feira e arma uma chuva escabrosa. Penso se realmente vai dar certo a programação.
Tenho pouco tempo para correr pela vizinhança e arrumar um vestiário de acordo. Numa loja na rua detrás, uma blusa básica, branca. Já, uns 5 quarteirões para baixo, e para meu desespero, acho um tênizinho parecido com chuteira, mas delicado. É o que temos. Um problema a menos.
O roteiro já está traçado. Amigos passarão aqui para nos pegar às 19hs. Lá começa às 21h30, e devo chegar em casa só depois de meia-noite. Espero que o novo tênis não mate meus pés…
Ele chega do trabalho e me olha meio atravessado. ‘– Quem é você? O que fez com minha namorada?’, ainda achando a troca da programação da noite além da minha capacidade. Sim, íamos a um concerto. Mas ele não conseguiu vender o ingresso já a muito comprado, e acabei decidindo ir, pela folia. Pela folia, pela felicidade proporcionada.
Quando ele coloca a camisa vem num abraço feliz. Mal sabia eu que teria mesmo que me acostumar. Nas próximas horas, sinto todo o tempo que caí no lugar errado.
A festa é linda, realmente não posso negar. Até bato palmas, para alegria entusiasmada dos que estão a minha volta. E torço. Oh!…
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Poderia ser apenas mais um conto, num qualquer outro 1º de abril… Se não fosse uma prova.
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