domingo, 16 de maio de 2010

Tufão

É estranho a força que as coisas tem quando precisam acontecer.

Uma noite estou deitada aos braços dele, apaixonada. Conversas ao pé do ouvido, e uma decisão. Um plano para mudar meus já traçados planos.
Na manhã seguinte, vou almoçar com minha avó. Perguntas, e nada falo. Mas ela também já tomou sua decisão: tudo que eu tenho feito não está no caminho certo e devo procurar algo na cidade e morar com ela.
No mesmo dia, à noite, chego com casa, ainda com malas em uma mão e os classificados de minha avó em outra, minha mãe propõe o que já vinha rondando em sua cabeça.
Um tufão me pega pelo pé me lançando para cima junto com tudo que eu chamava de... casa.

É incrivel a força que as coisas tem quando precisam acontecer.


Uma semana depois, estou novamente no apartamento dele. Digo que estou bem. Aguentando bem o rojão da vida. E sim, estou bem. Estou bem e equilibrada. Como há muito ou nunca estive.
Nas próximas duas noites choro copiosamente em seu colo.
Penso em como não vou mais poder escrever meu nome debaixo da pia da banheiro. Como não teremos mais viagens só nós três. E nem iremos a Disney como planejamos.
Penso que agora as lembranças de um passado terão que vir comigo, e só comigo. E que a falta do meu pai vai doer bem mais que qualquer um possa imaginar.

É impressionante a força que as coisas tem quando precisam acontecer.

Apesar de todo peso que é para um filho único lidar com a separação dos pais, a minha idade e meu tempo de terapia (haha) com certeza são fatores que suavisaram. Posso dizer, quer se realmente era para acontecer, não teria uma época melhor para mim. Posso pensar claramante, posso apoiar quem precisa de apoio, posso sofrer sem cair em depressão.
Tenho amigos e família prontos para me acudir, ajudar ou apenas tomar um chopp se eu quiser. Tenho quem me escute, me afague, me abrace nos momentos mais duros; e que me faz rir e me faz esquecer de tudo mais.
Sim, eu estou bem. Tão bem quanto poderia estar. Obrigada.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Conto de 1º de Abril

É quinta-feira e arma uma chuva escabrosa. Penso se realmente vai dar certo a programação.

Tenho pouco tempo para correr pela vizinhança e arrumar um vestiário de acordo. Numa loja na rua detrás, uma blusa básica, branca. Já, uns 5 quarteirões para baixo, e para meu desespero, acho um tênizinho parecido com chuteira, mas delicado. É o que temos. Um problema a menos.

O roteiro já está traçado. Amigos passarão aqui para nos pegar às 19hs. Lá começa às 21h30, e devo chegar em casa só depois de meia-noite. Espero que o novo tênis não mate meus pés…

Ele chega do trabalho e me olha meio atravessado. ‘– Quem é você? O que fez com minha namorada?’, ainda achando a troca da programação da noite além da minha capacidade. Sim, íamos a um concerto. Mas ele não conseguiu vender o ingresso já a muito comprado, e acabei decidindo ir, pela folia. Pela folia, pela felicidade proporcionada.

Quando ele coloca a camisa vem num abraço feliz. Mal sabia eu que teria mesmo que me acostumar. Nas próximas horas, sinto todo o tempo que caí no lugar errado.

A festa é linda, realmente não posso negar. Até bato palmas, para alegria entusiasmada dos que estão a minha volta. E torço. Oh!…

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Poderia ser apenas mais um conto, num qualquer outro 1º de abril… Se não fosse uma prova.

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domingo, 14 de março de 2010

Definição de um diagnóstico

A definição de mim mesma sempre esbarrou na definição da doença. A eterna luta para identificar e diferenciar o que sou eu, e o que a doença provoca. Entrando agora na casa dos 30 anos, ainda tenho meus momentos de dúvidas.

Mais de 15 anos de terapia, de idas e vindas de trocas de remédios, crises, montanha-russa de emoções. Fui diagnosticada com depressão, fui chamada de filhinha-de-papai, já me olharam como preguiçosa. Pessoas próximas já choraram por acharem que eu estava enlouquecendo, já se sentiram completamente impotentes por não conseguirem ajudar, já me sacudiram violentamente durante minha piores crises de desligamento.

O diagnóstico agora é Transtorno Bipolar – ou sei lá como chamam ultimamente. Não foi completamente confirmado, já que não me viram em crise eufórica, mas a medicação está surtindo efeito. E esse é um sinal forte de estar certo.

Outro sinal é que estou bem. Tenho momentos tristes como todo mundo, mas não mais depressivos. Se algo um pouco mais sério me abala, logo consigo ficar novamente de pé.

Claro, nem tudo é um mar de rosas.

Ainda tenho problemas em continuar coisas que começo. Então já penso que é uma característica minha, e não da doença, e que tem que ser resolvida, claro.

Nunca tive muitas crises reais de euforia. Não a euforia saltitante e falante, mas sim uma mania de compras. Compra de roupas, sapatos, bolsas. Consegui parar, mas apenas não entrando mais nas lojas. É um começo, acredito. Porém, converti toda a mania para uma necessidade incontrolável por livros. Se os leio? Bem, alguns. Mas não na velocidade e quantidade que compro.

……

Um dia desses, por desventuras da vida, passei 4 dias sem tomar um dos remédios. Logo na noite do primeiro dia o corpo já começou a perceber a falta química e senti alguma tonteira. Assim progrediu pelos 3º dias. Eu quase já não consegui andar e precisei de ajuda para descer escadas.

Na noite do 3º dia que percebi a mudança no pensamento. As idéias emboladas, lentidão para responder as perguntas mais fáceis. É estranho que agora eu tenha essa percepção, depois de tudo que passei. Agora, eu digo, depois de anos de análise e os recentes meses de terapia cognitiva. Não consigo explicar a mudança do pensamento, mas é tão clara, e tão bruta… Que a única conclusão é que, sim, muitas e muitas vezes a doença já me definiu. E o máximo que posso fazer é controlá-la.

terça-feira, 9 de março de 2010

Havaianas

Havaianas lança sua linha de tênis | Soul Collection

Posso querer 3 cores de cada modelo?

Via Comunicadores

sábado, 30 de janeiro de 2010

Pintando as unhas

Devia haver alguma medida legal que me impedisse de fazer minhas próprias unhas…

alegando falta total de destreza,

ou desperdício absurdo de esmalte/acetona/tempo

ou tentativa inconsciente de suicídio… sei lá…

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Fotografia

Adoro as fotografias dessa australiana de apenas 16 anos. Blog aqui.

Ela costuma tirar fotos de comidas…

da família…

 

e dos lugares em que passa ou viaja.

de uma forma tão sensível…

Algumas fotos penso… Como ela deixa o cotidiano tão lindo assim?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Estou lendo




O consagrado romance de Anne Tyler chega ao Brasil depois de anos fora de catálogo. O livro, que originou a premiada versão cinematográfica, selou o reconhecimento da escritora como uma das maiores autoras americanas contemporâneas. Adaptado para o cinema em 1988, com William Hurt, Kathleen Turner e Geena Davis no elenco e diversas indicações para o Oscar e o Globo de Ouro, O Turista Acidental é o décimo e mais aclamado romance de Anne Tyler. O livro conta a história de Macon Leary, um metódico escritor de guias de viagem que detesta viajar. O trágico assassinato do filho, seguido do divórcio, resulta numa crise que o leva de volta à casa dos irmãos, onde foi criado. A harmonia da família é interrompida pelo comportamento de seu incontrolável cão Edward. É quando entra em cena Muriel Prichett, com quem ele acabará formando um improvável casal que mudará vidas ao seu redor, quebrando velhos hábitos e dissipando antigas tristezas.

Realmente não me lembro se vi o filme, mas o livro está uma delícia.

 

(29/01) Atualização:

Acabei o livro. Gostei bem. Os próximos passos: ver o filme e procurar outros livros da mesma autora – Ela ganhou Pulitzer em 1989 pelo livro “Breathing Lessons”. Vale a pena dar uma olhadela.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Mais filmes em imagens





















Charlie Bartlett
, 2007.
Com: Anton Yelchin, Kat Dennings, Robert Downey Jr., Hope Davis, Tyler Hilton. (Diretor: Jon Poll)



"One Day, One Movie"

Mais um site.
Mais filmes.
Mais imagens.
Algumas frases.
Muitas delícias.