É quinta-feira e arma uma chuva escabrosa. Penso se realmente vai dar certo a programação.
Tenho pouco tempo para correr pela vizinhança e arrumar um vestiário de acordo. Numa loja na rua detrás, uma blusa básica, branca. Já, uns 5 quarteirões para baixo, e para meu desespero, acho um tênizinho parecido com chuteira, mas delicado. É o que temos. Um problema a menos.
O roteiro já está traçado. Amigos passarão aqui para nos pegar às 19hs. Lá começa às 21h30, e devo chegar em casa só depois de meia-noite. Espero que o novo tênis não mate meus pés…
Ele chega do trabalho e me olha meio atravessado. ‘– Quem é você? O que fez com minha namorada?’, ainda achando a troca da programação da noite além da minha capacidade. Sim, íamos a um concerto. Mas ele não conseguiu vender o ingresso já a muito comprado, e acabei decidindo ir, pela folia. Pela folia, pela felicidade proporcionada.
Quando ele coloca a camisa vem num abraço feliz. Mal sabia eu que teria mesmo que me acostumar. Nas próximas horas, sinto todo o tempo que caí no lugar errado.
A festa é linda, realmente não posso negar. Até bato palmas, para alegria entusiasmada dos que estão a minha volta. E torço. Oh!…
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Poderia ser apenas mais um conto, num qualquer outro 1º de abril… Se não fosse uma prova.
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