quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A Libélula

Eu e mamãe estamos sentadas tranquilas vendo um filme. Pernas para cima. Cachorrinhos dormindo aconchegados entre nós.

Pela porta entra uma desajeitada libélula trombando pelas paredes, logo atrás dos olhos felinos atentos.

Antes mesmo das orelhas captarem os barulhos das asas, Kika já está em pé, alerta. Duas bolas de gude fixam os movimentos enlouquecidos do esvoaçante e seu pescoço acompanha num contorcionismo preocupante.

Pela fresta deixada por uma das minhas pernas, um pé, uma almofada na cabeça e uma mão, vejo a cena de relance. O gato miando, olha fixamente para cima, Kika, chorando, pula alternadamente entre os sofás, Pipoca, em silêncio, olha para mim um tanto curiosa, e mamãe resmunga que hora ruim desse bicho aparecer e parar o filme.

A Libélula cansa e três voam em cima dela. Wicket, o gato, tenta pegar, mas foi empurrado por Kika, a cachorra louca, que abocanhou o bicho, que foi assustada, por um matador de pernilongo bem seguro na minha mão, e logo abriu a boca. Resultando com a Libélula sair voando para cima de mim e eu começar a pular igual uma enlouquecida pela sala e minha mãe quase cair do sofá de tanto rir.

Bem vindo ao maravilhoso circo da Libélula, apresentação única a 1 hora da manhã!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Two Lovers

Um romance delicado como há muito tempo eu não via. Diferente do tradicional  estilo das  comédias românticas, o filme resgata o gênero do romance na sua forma mais pura como também consegue ir além. Joaquin Phoenix, como sempre espanta na sua atuação. E mesmo sempre achando Gwyneth Paltrow um pouco sem sal, aqui ela também se destaca. Também no elenco, Vinessa Shaw como a outra ponta do triângulo amoroso, e a ainda bela e sempre talentosa Isabella Rossellini, que faz a mãe de Leonard.

O diretor James Gray não se apóia em reviravoltas nem outros tipos de truques, o inevitável é o real protagonista. Com um jogo de imagens e sons (ou a falta deles), cria um filme denso, belamente dirigido, daqueles que se sente a diferença da mão de um bom diretor numa história.

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Phoenix é Leonard, um rapaz que mora com os pais em um apartamento no Brooklyn, em Nova York. O filme começa com ele tentando o suicídio, jogando-se de uma ponte. Ele é rapidamente salvo por um grupo de transeuntes, para seu próprio desgosto. Quando chega em casa, os pais recebem um casal amigo e a filha deles, Sandra. Eles ficam próximos, para a felicidade das duas famílias, que planejam fundir os negócios. Para o estado emocional de Leonard ficar ainda mais complicado, ele logo conhece Michelle, sua vizinha, por quem se apaixona.

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Músicas, shows, Festival

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No fim de semana do dia 12 de Setembro Tico e eu fomos para Três Pontas para uma maratona de shows. Quando digo maratona, sim, era uma maratona, a qual eu não tinha idéia até faltarem ainda uns 4 shows para terminar e minhas pernas já não me obedeciam mais.

O Festival foi entre os dia 10 e 13, mas fomos somente na sábado. Entre vários cantores e músicos, tocaram: Lenine, Toninho Horta, Lô Borges, Wilson Sideral, Tom Zé, Ivan Lins – e os mais esperados, filhotes da terra, e homenageados do eventos – Wagner Tiso e Milton Nascimento.

Fomos animados e sorridentes para a festança, debaixo de um sol escaldante, às 3 horas da tarde. A estrutura do lugar nos impressionou, e mesmo com o lugar cheio ao anoitecer foi muito tranquilo e completamente sem tumulto.

A estrutura do palco formava os três montes de Três Pontas, uma lua redonda à esquerda servia de telão e várias luzes em cima faziam o papel das estrelas. À noite o visual era bem legal.

O gramado tem uma leve inclinação natural, e dá para ver bem o palco de qualquer lugar. Certa hora, meus pés já pedindo arrego e longe do show do Milton começar, sentamos no gramado e ficamos ouvindo Ivan Lins ao vivo. Quando vi, Tico já estava todo enroscado dormindo com o chapéu no rosto.

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(A foto é ruim, mas dá para ter uma idéia. Tirei enquanto Tico roncava)

“- Tico, esquecemos! Ainda tem Tom Zé!”

Ele nem levanta o chapéu: “– Que bom, posso dormir mais um show.”

Quando entrou o maluco do Tom Zé, todo mundo que estava dormindo do nosso lado - namorados abraçados, turma desmaiada – levantou e correu. Depois entendemos porque. Nunca tínhamos visto um show dele. Gostando ou não, não se pode negar que tem uma energia contagiante. Levantamos também.

image O Louco Tom Zé

O ponto alto, não tinha outra forma de ser, com uma voz de arrepiar, enrolado com blusas de frio, às 3 horas da manhã (!!!) entra Milton Nascimento para seu show. Arrepio novamente agora, só de lembrar.

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12 horas depois de chegar ao festival, com dor nas pernas, pés e costas, cansada de beber ou comer ou ficar em pé ou tudo mais, olhei para o lado e todos pareciam como eu … Na primeira nota esquecemos de tudo. Cantamos, afinados ou não, juntos, num transe só.

Como Elis dizia, se Deus cantasse, cantaria com a voz de Milton Nascimento

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