sábado, 17 de outubro de 2009

Apenas uma tarde qualquer

É uma bonita tarde de Junho. O céu está claro e o sol acolhedor. O frio estremece por entre as gretas das janelas e faz o cômodo menos aconchegante que o habitual. Lá fora ela se espreguiça, aproveitando a onda de calor que corre seu corpo.

Um som ao longe desperta seus sentidos. Levantando uma orelha, pede aos céus para que não seja nada. Mas dentro de casa, também já reconheceram o barulho. Então começa a se movimentar.

Espreguiça novamente, levantando a parte da frente do corpo. Boceja para tentar acordar um pouco mais, e se sacode para dar um pouco mais de ânimo. E sai correndo embalada.

No caminho, pelo seu desajeito normal, não calcula bem a curva e tromba na porta, passando quase por cima de um gato que pula a 3 metros de altura para sair do seu caminho. Completamente desenfreada, e agora já observando os outros dois já em frente ao portão, vem derrapando e faz um belo strike. Em meio à confusão de patas, rabos e latidos, é a primeira a se levantar, com cara animada, como se esse fosse seu plano desde o começo.

Observando pelas gretas, observa o rugir do motor sendo desligado, e em seu lugar um misto de vozes e uivos que enchem a frente da casa, da rua, do quarteirão. Um pé humano na escada é o sinal de largada para mais uma correria enlouquecida porta adentro da casa.

Os gatos, agora já despertos e vigilantes, cada um de um lugar alto da sala, olham escandalizados para tal algazarra formada na porta de entrada.

Ao abrir a porta, um voz humana diz:

- Peloamordedeus! Que isso? Eu só fui comprar pão!

Ela pula feliz, e dá várias piruetas em volta de si mesma. Sem saber se está mais feliz pelo humano não tê-los abandonado ou por ter chegado o pão.


DSCF4361 Ela (Kika)

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